quinta-feira, março 29, 2007

Aristides Gomes é o décimo primeiro-ministro a cair em 13 anos

Origem do documento: www.noticiaslusofonas.com, 29 Mar 2007

O primeiro-ministro demissionário guineense, Aristides Gomes, é o décimo chefe do executivo da Guiné- Bissau a cair desde a abertura do país à democracia, iniciada formalmente com as primeiras eleições multipartidárias de 1994.

A decisão foi publicamente anunciada hoje por Aristides Gomes, que indicou ter entregue quarta-feira uma carta nesse sentido ao presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, o mesmo que o havia nomeado a 02 de Novembro de 2005.

A carta foi entregue cerca de uma semana depois de o Parlamento guineense ter aprovado uma moção de censura ao governo, decisão que foi posteriormente comunicada ao presidente "Nino" Vieira, pelo que continuará em funções "de gestão" até à tomada de posse do novo primeiro-ministro.

Aristides Gomes foi empossado no cargo a 09 de Novembro desse ano - governo com 19 ministros e nove secretários de Estado -, sucedendo a Carlos Gomes Júnior, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), exonerado por decreto presidencial a 27 de Outubro de 2005.

Aristides Gomes é um dos dirigentes do PAIGC que, em Maio de 2005, foi suspenso, e mais tarde reintegrado, depois de ter "violado os estatutos e as orientações do partido", na sequência do apoio dado a "Nino" Vieira nas eleições presidenciais de Junho e Julho desse ano.

O primeiro-ministro demissionário, oficialmente 1º vice- presidente do PAIGC, embora nunca tenha reassumido o cargo, é natural da região de Cacheu (norte), onde nasceu a 08 de Novembro de 1954, fez os seus estudos universitários em França e foi várias vezes ministro durante os governos de "Nino" Vieira que se seguiram às eleições gerais de 1994.

Ex-líder da bancada parlamentar do PAIGC, Aristides Gomes, antigo director da Rádio Televisão da Guiné-Bissau (1990/92), foi eleito em 2002 como o "braço direito" de Carlos Gomes Júnior, mas a perspectiva do regresso a Bissau de "Nino" Vieira, exilado seis anos em Portugal, levou-o a assumir em, em fins de 2004, a ruptura com a direcção.

O afastamento consumou-se na altura da tomada de posse do governo do PAIGC saído das legislativas de Março de 2004, quando Aristides Gomes não compareceu na cerimónia por discordar da pasta que lhe foi atribuída, a da Administração Territorial, Reforma Administrativa, Função Pública e Trabalho.

Na ocasião, acusou Carlos Gomes Júnior de lhe ter "mentido", depois de lhe ter assegurado que assumiria a pasta dos Negócios Estrangeiros, que foi para Soares Sambu, escondendo aquela que seria a sua cartada para chegar ao poder, ou seja, o regresso de "Nino" Vieira.

A partir daí, Aristides Gomes assumiu definitivamente a ruptura com a direcção do PAIGC e, em colaboração com cerca de 40 outros dirigentes e militantes, que também foram suspensos e reintegrados, ajudou a formar o Fórum de Convergência para o Desenvolvimento (FCD), que congregava também os dois maiores partidos da oposição - os partidos da Renovação Social (PRS) e Unido Social- Democrata (PUSD).

Desde 1994, ano em que se realizaram as primeiras eleições gerais multipartidárias da História do país, três anos depois da abertura ao pluralismo político, a Guiné-Bissau já contou com 10 primeiros-ministros.

Foram eles Manuel Saturnino da Costa (PAIGC), Carlos Correia (PAIGC), Francisco Fadul (durante a transição após o conflito militar de 1998/99), Caetano Intchamá, Alamara Nhassé, Faustino Embali e Mário Pires (os quatro do PRS), Artur Sanhá (durante a transição após o golpe de Estado de 2003), Carlos Gomes Júnior (PAIGC) e Aristides Gomes.



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