segunda-feira, janeiro 22, 2007

Guineenses comemoram amanhã início da luta pela independência

Origem do documento: www.noticiaslusofonas.com, 22 Jan 2007

A Guiné-Bissau celebra terça-feira o Dia dos Combatentes da Liberdade da Pátria, um feriado nacional, que assinala o início da luta armada contra a presença colonial portuguesa no território e que tem vindo a perder o seu valor simbólico.

"É triste que o Dia do Combatente esteja reduzido a momentos de festas, quando devia ser um dia de reflexão, para todos, pelos sacrifícios que foram os 11 anos da luta armada para a independência do nosso país", lamentou-se Marcelino Correia, brigadeiro-general e director-geral do Centro de Informação e Análises Estratégicas da Defesa (CAED) da Guiné-Bissau.

Marcelino Correia lutou na frente Leste da Guiné-Bissau, terra dos povos fulas, uma das etnias guineenses mais contestatárias da ideia de independência defendida pelo Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), de Amílcar Cabral.

A Guiné-Bissau devia aproveitar o dia 23 de Janeiro para "ouvir o teste munho daqueles que andaram na mata" a combater a tropa colonial, afirmou Marcelino Correia, explicando que todos têm episódios marcantes para contar às novas ge rações.

No seu caso, lembrou as dificuldades que a sua equipa sentiu para mobilizar os fulas a aderirem à luta armada.

"Foi muito complicado a luta na frente Leste, ao contrário das frentes Sul e Norte. No Leste os fulas diziam que estavam bem com os portugueses e questionavam a ajuda aos combatentes guineenses, porque não sabiam o que podíamos fazer por eles", contou Marcelino Correia.

"Era difícil mobilizar a população do Leste e ao mesmo tempo combater a tropa colonial portuguesa. No Sul e no Norte, as populações aderiram rapidamente às ideias da luta, dando comida aos combatentes. No Leste não era nada disso", explicou o brigadeiro-general.

Marcelino Correia não aceita também que lhe digam que a luta do PAIGC foi mais dura na frente Sul, onde combateram, guerrilheiros como o agora Presidente da Guiné-Bissau "Nino" Vieira, ou Tagmé Nawaié, actual Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

"Não é verdade que a luta tenha sido mais fácil no Leste. (...) Uma luta armada de guerrilha realizada num território semidesértico e com a adversidade da população civil", disse Correia.

O brigadeiro-general regressou à Guiné-Bissau em 1999, no âmbito do programa de reconciliação das Forças Armadas, depois de ter estado 25 anos em Cabo Verde, para onde foi "enviado" para preparar a independência do arquipélago.

Ainda nas memórias guarda episódios como a batalha travada com o mítico comandante do exército português, Carlos Fabião, na localidade de Beli, próxima de Lugadjol, onde, em 1973, o PAIGC proclamou, de forma unilateral, a independência da Guiné-Bissau.

"Sob a minha batuta, o meu grupo teve um forte embate em Beli com o grupo do comandante Fabião. Foi uma luta épica entre bons guerreiros, cada um pela sua causa", afirmou o brigadeiro-general Correia, para salientar a "importância de um combatente".

Marcelino Correia não quis falar sobre o actual momento que o país atravessa, afirmando apenas que acredita na "nova geração" a quem pediu "empenho e confiança", sem esquecer a ideia de reconciliação e unidade entre todos os guineenses.



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