sábado, janeiro 15, 2005

Líder parlamentar desafia o presidente do partido

1. Origem do documento: www.guine-bissau.com, 14 Jan 2005
por TOMÁS ATHIZAR MENDES PEREIRA

CIPRIANO CASSAMÁ DESAFIA CARLOS GOMES JÚNIOR
A procissão ainda vai no adro. O líder da banca parlamentar do PAIGC, Cipriano Cassamá, expulso no dia 13 de todas funções no partido, pelo despacho do presidente desta formação política no poder, Carlos Gomes Júnior, disse hoje que “vai continuar a exercer as suas funções no parlamento na qualidade de deputado e líder do grupo parlamentar.
“Mesmo que o presidente do partido, tivesse que tomar qualquer decisão, deve pautar-se de acordo com a lei definida pelo estatuto do partido”, afirmou.

“Fui surpreendido por despacho assinado pelo presidente do partido, que chegou a mim infelizmente, através dos órgãos de comunicação social. Este acto do presidente, para além de ser deselegante, não dignifica a liderança do partido com a dimensão do PAIGC”, disse Cipriano Cassamá, acrescentando ter defendido sempre o partido contra os seus adversários da oposição, mas também nunca descorou de defendê-lo internamente contra procedimentos e posturas que o possam “fragilizar”.

Segundo Cipriano Cassamá, o conteúdo do despacho do presidente do PAIGC viola completamente os estatutos e as normas estabelecidas pelos seus órgãos, por isso arredar os pés na luta pela dignificação do partido. O líder da bancada parlamentar assegurou que o conteúdo evocado por Carlos Gomes Jr. no despacho, “não corresponde a verdade”.

Entretanto um grupo de supostos dirigentes subscritores do requerimento que solicitam a realização do congresso extraordinário, estiveram reunidos esta manhã, na sede da bancada do grupo parlamentar do PAIGC.

O objectivo, segundo fontes ligadas a reunião, visa definir estratégias para enfrentar o presidente do PAIGC. Fala-se para já, numa possível instauração de um processo disciplinar a Carlos Gomes Jr., por “usurpação de competências”.

2. Origem do documento: www.noticiaslusofonas.com, 14 Jan 2005

Cipriano Cassamá não acata suspensão actividades partidárias

O líder da bancada parlamentar do PAIGC, Cipriano Cassamá, afirmou hoje que não vai acatar a suspensão de todas as actividades partidárias decidida quinta-feira pelo presidente do partido no poder na Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior.

Numa conferência de imprensa, realizada na sede da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento), Cipriano Cassamá considerou "ilegal" a decisão do líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), acusando-o de não ter competências para o suspender e de desconhecer os estatutos.

Em despacho entregue quinta-feira pessoalmente à Agência Lusa, Carlos Gomes Júnior, igualmente o actual primeiro-ministro guineense, suspendeu Cipriano Cassamá de todas as actividades no partido enquanto decorrer um inquérito disciplinar que lhe instaurou.

"Estamos perante um desconhecimento total aos estatutos do partido por parte do presidente do PAIGC, quando invoca o artigo 38 para decretar a minha suspensão. É uma aberração esta atitude do senhor presidente do PAIGC", defendeu.

Cipriano Cassamá afirma que não acatará a decisão de Carlos Gomes Júnior e que irá manter-se como líder do grupo parlamentar, militante e dirigente do PAIGC, partido pelo qual disse ter sempre lutado contra "interesses estranhos e atitudes ilegais".

"Sou deputado e, devido à minha abnegação em prol da causa do partido, os meus camaradas decidiram eleger-me líder do grupo parlamentar. Por isso, não vou acatar nenhuma suspensão ilegal", avisou Cipriano Cassamá.

Questionado pelos jornalistas qual a sua versão em relação aos motivos que ditaram a sua suspensão pelo presidente do PAIGC, Cipriano Cassamá escusou-se a entrar em pormenores, limitando-se a afirmar que o assunto está a ser tratado "nos órgãos internos".

No despacho que ordena a imediata suspensão de Cipriano Cassamá, o líder do PAIGC justifica a sua decisão com "atitudes perturbadoras" do líder do grupo parlamentar numa reunião da Comissão Permanente do "Bureau" Político, realizada quarta-feira na sede do partido, em Bissau.

No entanto, Cipriano Cassamá pede a Carlos Gomes Júnior que utilize "o bom senso e muita ponderação" para resolver este "caso", que disse poder afectar o bom funcionamento do governo e a própria Guiné-Bissau.

Instado pela Lusa a comentar os "desencontros de pontos de vista" verificados aquando da visita que ambos fizeram a Portugal, em fins de Dezembro último, sobre um eventual regresso do antigo presidente João Bernardo "Nino" Vieira a Bissau, Cipriano Cassamá limitou-se a remeter o jornalista para o líder do partido.

Em Lisboa e em declarações separadas, os dois dirigentes do PAIGC defenderam posições antagónicas em relação ao posicionamento do partido nas presidenciais previstas para Maio próximo.

Cipriano Cassamá referiu-se a um hipotético regresso de "Nino Vieira", enquanto Carlos Gomes Júnior falou na possibilidade de ele próprio se candidatar.

"Essa pergunta deve ser colocada ao senhor presidente do PAIGC", respondeu hoje Cipriano Cassamá, ao ser questionado pela Lusa se esta questão não constitui a razão do clima de mal-estar que reina entre os dois dirigentes do partido no poder na Guiné-Bissau.

Quinta-feira, Carlos Gomes Júnior prometeu para hoje uma declaração sobre a questão, mas, até agora, nada disse. A Lusa tem estado a tentar contactá-lo, mas o líder do PAIGC e também primeiro- ministro tem estado incontactável.

3. Origem do documento: www.noticiaslusofonas.com, 05 Fev 2005

Sem efeito a supensão do líder parlamentar do partido maioritário

A suspensão decretada pelo presidente do partido no poder na Guiné-Bissau ao líder da bancada parlamentar, decidida a 13 de Janeiro último, ficou sem efeito, tendo Cipriano Cassamá assumido totalmente as suas funções no parlamento.

A suspensão foi decretada por Carlos Gomes Júnior, também primeiro-ministro, mas na qualidade de presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), num despacho em que suspendeu Cipriano Cassamá de todas as suas funções até à conclusão de um inquérito interno que lhe instaurou.

O assunto caiu, entretanto, no esquecimento e Cipriano Cassamá assumiu quinta e sexta-feira as funções de líder da bancada parlamentar do PAIGC durante as discussões do Orçamento Geral do Estado (OGE) na Assembleia Nacional Popular (ANP).

No despacho que ordenou a imediata suspensão de Cipriano Cassamá, o líder do PAIGC justificou a sua decisão pelas "atitudes perturbadoras" do líder do grupo parlamentar numa reunião da Comissão Permanente do "Bureau" Político, realizada a 12 do mesmo mês.

Nessa reunião, segundo fontes do PAIGC indicaram à Agência Lusa, registou-se uma troca azeda de palavras e as altercações entre Carlos Gomes Júnior e Cipriano Cassamá só não chsegaram às agressões físicas devido à pronta intervenção de outros dirigentes do partido.

Um dia depois, Carlos Gomes Júnior emitiu o despacho e, dia 14, Cipriano Cassamá considerou "ilegal" a decisão do líder do PAIGC.

"Estamos perante um desconhecimento total aos estatutos do partido por parte do presidente do PAIGC, quando decreta a minha suspensão. É uma aberração esta atitude do senhor presidente do PAIGC", afirmou Cipriano Cassamá à Lusa, na ocasião.

Sexta-feira, e após o encerramento da sessão extraordinária do Parlamento, nem Carlos Gomes Júnior nem Cipriano Cassamá comentaram o facto de o líder da bancada parlamentar do PAIGC ter assumido as suas funções, na presença do líder do partido.



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